MIR vs Wayland: Nova divisão no universo Linux

ubuntuUm dos aspectos que mais aprecio no Linux é a liberdade de escolha que este representa. A liberdade na personalização do nosso ambiente de trabalho, com uma facilidade que nenhum dos sistemas operativos proprietários permite. Liberdade também representada na diversidade de ambientes de trabalhos gráficos.

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Wayland

No entanto nem sempre a diversidade em Linux pode ser positiva. Carlos Carvalho em entrevista ao Linux Tugaz, referiu e bem o impacto negativo que representa a divisão das distribuição RPM e Debian. Agora, outra divisão está a chegar ao Linux e esta pode ter consequências bem mais nefastas. Refiro-me à “guerra” que existe entre os dois novos servidores gráficos que vêm substituir o velhinho X.Org.

Wayland é o servidor gráfico que tem vindo a ser adoptado e desenvolvido pela comunidade Linux mas que não está a ser adoptado pela Canonical para o Ubuntu que optou por criar um servidor gráfico próprio, o MIR. O que representa esta divisão?

A haver um só servidor, todos os esforços se concentrariam em si o que poderia levar a melhor resultados. Além demais esta divisão vai prejudicar o desenvolvimento de drivers proprietários para Linux.

Com a comunidade e a industria virada para o Wayland, o Ubuntu fica numa posição delicada. Até porque alguns derivados directos do Ubuntu, como o Xubuntu e Kubuntu, optaram pelo Wayland em vez do MIR. Assim, com o Kubuntu (por exemplo) e o Ubuntu a trabalharem com servidores diferentes isto representaria uma ruptura tremenda. Aliás, com o KDE a desenvolver os seus programas para Wayland estes correm o risco de se tornarem incompatíveis com o Ubuntu (por exemplo, o Amarok deixará de correr no Ubuntu).

Outra questão pertinente, graças à popularidade do Ubuntu vimos a entrada da Steam para Linux. Com esta focada no Ubuntu (fala-se que o SteamOS terá como base o Ubuntu) e com o Ubuntu a adoptar o Mir como será a compatibilidade dos jogos com o Wayland futuramente?

Para mim, torna-se cada vez mais claro que a Canonical está empenhada em fazer do Ubuntu um sistema operativo com uma identidade própria seguindo um percurso diferente da comunidade Linux. Isto pode levar a um bom sistema operativo com base Linux, capaz de vir até a ombrear com os principais sistemas operativos proprietários actuais mas podendo vir a deixar de ser um Linux puro.

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